Felizmente
eu já assisti a um grande amor! Foi algo que acompanhei desde pequena e que
sempre me fez crescer com o pensamento de que era possível e com uma grande
ambição de um dia poder viver um.
O que reinava naquela bonita relação
era o respeito, o carinho, a cumplicidade, a compreensão e acima de tudo uma
forte união, em que nada nem ninguém os separava. Nem mesmo as desavenças da
vida os fez baixar os braços, trabalharam toda uma vida em pró do mesmo,
formaram família, ajudaram quem puderam, pouparam e trabalharam de sol a sol
para dar uma boa vida aos filhos e ajuda-los como podiam.
Com o tempo a passar, os filhos casaram e deram-lhes netos, netos estes que
eram o grande motivo de orgulho de ambos! Os netos foram mimados e tratados
como ninguém, o tempo continuou a correr.
Com algumas desilusões pelo meio, a
velhice chegou, alguns filhos e netos foram para longe, deixando uma profunda
tristeza nestes carinhosos avós, no entanto, os que ficaram por perto,
continuaram a ser o seu grande orgulho, foram sempre acompanhando o seu
percurso enquanto pessoas e o percurso académico. Foram uns avós sempre muito
presentes.
No entanto, um dia, a vida atraiçoou um deles, ele teve uma paragem cardíaca,
mas pelo rápido alarme dela, tudo acabou por se resolver, no entanto, ele ficou
incapacitado de continuar as suas actividades rotineiras, ela sempre o ajudou e
sempre cuidou dele, até que ele melhorou!
Um tempo mais tarde, quem foi
atraiçoado foi ela, começou com pequenos sintomas como deixar de ler, deixar de
escrever, esquecer-se do nome de objectos, de pessoas, começando a piorar aos
poucos, tornando-se incapacitada para continuar a cuidar sozinha dele. Aí,
estando ele melhor, começara a cuidar dela, continuando sempre com a mesma
cumplicidade. A doença de Alzheimer foi piorando mesmo, levando-a a por vezes a
desconhecer quem era ele e o que faria ali, no entanto, ele nunca desistiu e
continuou a ama-la.
Com ajudas da filha e das netas, continuaram a ser um casal feliz apesar das
adversidades...Até o dia em que o pior aconteceu e um deles desapareceu, ele
teve uma segunda paragem cardíaca, no entanto, desta vez, fatal.
Foi um grande choque para a filha e as netas principalmente e para ela, que
apesar de o seu mundo já não ser o mesmo, ela conseguia sentir a perda de um
grande amor.
O maior problema começou aí, no futuro, ela acabava de ficava sem ninguém para
cuidar dela como ele sempre fez. Os filhos reuniram-se, uns queriam-na num lar,
mas a filha sempre lutou para que isso não acontecesse, para conseguir cumprir
a vontade dos pais. Após alguma tensão e no meio de discussões, os irmãos lá
lhe disseram que ela tinha um X prazo para encontrar alguém que tomasse conta
da mãe. Com muito choro, desespero e acima de tudo esforço, ela conseguiu! A
mãe continua a seu lado e ao lado das netas onde sempre quis estar e onde
sempre ambos se sentiram bem!
Termino agora com mais um reforço de
que o amor sempre reinou nesta relação, que nada os destruiu e que apesar dos
problemas sempre se mantiveram unidos até ao fim, amando-se mutuamente e
convencendo qualquer pessoa que os conhece-se que eram o casal mais bonito do
mundo, não tivessem eles vivido mais de 60 anos em comum!
Pela última vez afirmo, os grandes
amores são possíveis!
Obrigado Avó Josefa e Avô Francisco!
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