- Ortónimo: junho 2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Triste Percurso

    Não sei se será pela força da gravidade, mas ela teima em cair, ainda por cima levando uma quantidade inacreditável de outras atrás...
    Macia, quente, salgada, segue o seu caminho, procurando um fim, quando o encontra...desaparece.
    Depressa as outras lhe seguem o rasto, agora frio, uma de cada vez, vão correndo numa fileira, levando com elas, mágoas, tristezas, a dor que se esconde por trás da superfície em que elas caminham.
    Durante este curto percurso, não há sorrisos, não há esboços de tal, não há luz, reinam eternos mistérios que jamais serão um dia desvendados, mistérios que sempre ficaram por dizer.
    No fim, nada mais resta a não ser o pensamento de que tal momento existiu, pois elas desaparecem duma maneira tal, que nunca mais, as mesmas são avistadas, não deixando qualquer tipo de marca que se note ao olhar.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Pensar na Vida

    Quando tu dizes que pensas na vida, eu digo que faço muito mais que isso, todos os dias mal sinto o agradável cheiro dos lençóis e após deitar a cabeça na almofada, os meus pensamentos ganham asas e voam para bem longe daqui, por vezes sonham, por vezes fazem uma auto avaliação aos momentos vividos ou por viver e noutras apenas pensam num nada.
    Não dá para evitar, é como um gesto involuntário, que quando estou a tentar evitar, já é tarde demais, sou automaticamente dominada por uma força que vem do meu interior mais profundo e que me faz navegar por tempo indeterminado. Poderá ser 1min, 2, até 10 ou 20, mas o facto é que são sempre muito sentidos.
    Se me perguntarem se é um bom “habito”, eu respondo que como em tudo na vida, tem as duas faces, é bom poder recordar e sonhar, pois é nos sonhos que tudo pode acontecer e é nos sonhos que somos totalmente felizes, mesmo que por segundos. É mau, pensar ou tentar adivinhar um possível futuro que depois nada terá a ver com o “planeado”, é mau recordar/rever coisas que pretendemos esquecer.
    Ao fim de tantos anos, reina o hábito, já quase não nos faz diferença, aliás, estranho é, se por alguma razão tal fenómeno não acontecer. Sem mais nada que se possa fazer, vamos tentando canalizar isto tudo, para que possa ser algo denominado de bom / agradável, pois quem não gostaria de poder voltar a reviver aqueles momentos felizes e mais marcantes? Aí aproveitamos, pois mais uma vez afirmo em sonhos e pensamentos tudo pode acontecer, tudo se pode realizar.