- Ortónimo: 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

Ao Nada que é Tudo

A distância dói e sente-se, o tempo passa e não volta atrás, os momentos perdidos já mais serão recuperados, uma vida que acaba tão rápido quanto começa.
Há momentos em que nada mais há a dizer, há momentos em que não há palavras que descrevam tal sentimento, há momentos em que o desaparecer seria pouco, há momentos em que somos um nada no meio de um tudo, há momentos em que tudo cai, há momentos em que deixa de ser possível esconder, há momentos em que nos começamos a tornar transparentes, há momentos em que tudo morre e nada fica!
Sei dúvida alguma que a vida é uma passagem, as pessoas vão e vêm e nunca ficam…agora pergunto-me, será que vale a pena estabelecer relações com elas, visto que um dia iram acabar? É uma questão para a qual ainda não encontrei resposta. Porque apesar de todos os bons momentos que poderemos passar, eles acabam sempre por dar em desilusão, afastamento, morte da relação, sofrimento, ao nada que é tudo.
Porque será o ser humano incapaz de guardar relações, incapaz de conservar amizades infinitas, porque? Mais uma pergunta sem qualquer tipo de resposta… Depois a única solução é a covardia, é o esquecimento, é a desistência!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Caminhada 2

Saudade de um tempo perdido, Saudade do que não aconteceu, saudade do que poderia ter acontecido.
O nevoeiro cerrado levantou-se, ele conseguiu ultrapassar mais um dos tantos obstáculos que a caminhada lhe reservara. Ele pensou, ele chorou, ele esqueceu e venceu! O sol as sombras desnudou, um novo mundo renasceu para ele, tudo parecia novamente perfeito, tudo o faria sentir bem, vencedor, acompanhado e ajudado, melhor de tudo: o amor renasceu diante dele! Inseguro, caminhou para ele, devagar, bem devagarinho, com o receio normal de quem já muito sofreu, depois dessa pequena caminhada, deparou-se com o paraíso, onde tudo reluzia, onde tudo era harmonioso e natural. Agarrou-o com tanta força que não mais o largou, passaram-se alguns dias, dias esses que mais pareciam sonhos!
No entanto, mais um vez, não há sonho que dure para sempre, não há estrada que deixe de ter buracos, não há bela sem senão, ele voltou a cair, ainda por cima por razões completamente diferentes da última. Agora o seu bem tornou-se no seu pior mal, o “Amor”, sentimento tão puro e tão forte que lhe causava medo de si mesmo, algo correu mal, algo o desiludiu, algo o deixou de rastos, de cabeça completamente perdida. O que ele vai fazer? Ninguém sabe…resta-nos esperar que não cometa nenhuma loucura irremediável, pois por amor, uma pessoa tende a fazer qualquer coisa!

sábado, 9 de outubro de 2010

Caminhada

  No dia 2 de Dezembro de 1992, algo mudou. Algo veio ao mundo para sentir, sofrer, persistir, avançar e ganhar!
  No entanto, até aos seus 14 anos tudo parecia perfeito, apenas precisava de avançar. Depois, tudo mudou, uma difícil caminhada se viria a anunciar, começando com gestos simples que ao longo do tempo se vieram agravando, agora, a caminhada é terrível, o solo é incerto, de tudo pode acontecer… Todo este caminho o tem feito mais forte, pois já experimentou de quase tudo, já chorou, já gritou, já sofreu, já se sentiu inútil, já se sentiu abandonado, angustiado, no entanto, também já se sentiu feliz, apaixonado, positivo e tudo o que há de bom!
  Neste momento, a caminhada já vai a meio, mas momentos muito difíceis se avizinham, novamente, até porque ele caiu e confesso que não está a ser nada fácil levantar-se. Está a ficar fraco, incapacitado de sentir algo que se possa apelidar de bom, sente-se desapontado, abandonado, inútil, um autentico fraco, que não consegue nada.
  Enfim, como nada dura para sempre, eu sei que ele vai ultrapassar tudo isto e no futuro vai ser alguém! Enquanto esse tão aguardado futuro não chega, resta-lhe tentar procurar forças onde elas quase não existem, resta-lhe cair, bater com a cabeça e ficar amnésico, pois é a única forma de esquecer tudo o que os últimos anos lhe têm trazido, até porque neste momento ele não consegue afirmar se os obstáculos da caminha têm sido mais fortes que as dadivas.
Tudo continua incerto. Tudo parece um nevoeiro cerrado, que dentre de dias, ou se levanta e deixará o sol brilhar, ou cairá e permanecerá durante muito mais tempo.
O que podemos nós fazer? Aguardar boas novas.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pedra que chora

Chegou o dia, em que até a mais dura e sádica Pedra chorou...

Chegou o dia, em que o gelo que a cobria derreteu...

Porquê hoje? Porquê agora? Porque nao poderia continuar dura, sádica e gelada? Não seria mais facil?

Afinal, ela era feliz assim! (ou pelo menos toda a gente assim o achava)

Será que a Pedra se mascarava? Mas porque teria ela tamanha necessidade?
(Secalhar, nao era assim tao feliz...secalhar, na realidade, ela nunca foi verdadeiramente dura e fria...Foi sim, Burra!- por esconder ao mundo o seu verdadeiro "eu")

Mas afinal, o que a levou a ser assim?! (talvez o medo de fraquejar em frente a terceiros, o medo que tivessem pena dela, o orgulho e sei lá que mais)

Ainda me recordo...sempre a sorrir, acontecia algo menos bom e ela...sorria! Nós estavamos mais em baixo e ela...sorria! (agora que penso bem, muitas das vezes que ela sorriu, fê-lo para nao chorar. Agora eu vejo que ela sempre foi humana como todos nós, ela sentia! Só nao o demonstrava nem partilhava- escondia!)

Parece que a mascara nao dura para sempre- ela rebentou.
Ela teve necessidade de libertar todas as emoções acumuladas, aí nao foi ter comigo, nem contigo.

Simplesmente pegou numa folha de papel, num lápis, e , escreveu...